Quando a gravidade diminui, posso ver o tempo parando, até parar.
Consigo Respirar.
Quando desacelera, posso ver você, por trás do vidro embaçado, pela poeira do tempo, do ar.
Do longo tempo que ficamos distantes.
A barreira que nos separa é de vidro, translúcido, fino, porém denso, e eu queria quebrá-lo, mas não posso você não me ajuda.
Te vejo através dele e você está longe, eu não posso tocá-lo e é melhor assim.
E para não te ver longe acelero, para não ver nada.
E me perco! Me distraio! Me contraio! E caio! Desmaio!
E o mundo cai diante de meus olhos, e saio a procura de mim mesmo.
E nessa busca incessante de mim, encontro você, bem aqui dentro, escondido, em silêncio, me olhando e lembro quem sou.
Desacelero!
Você é meu espelho, reflexo, o qual não posso atravessar.
Quando olho para você e me vejo, desejo fugir, fugir de você e de mim.
Acelero!
Desequilibro!
E quando olho novamente para você através do vidro, não vejo mais nada, nem você nem a mim .
Michelly Almeida

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